segunda-feira, julho 30, 2012

O "próximo": uma espécie em extinção

Cientistas dizem que aproximadamente 150 a 200 espécies de plantas insetos, pássaros, peixes ou mamíferos vão para o beleléu a cada 24 horas. Bem, podem acrescentar "o próximo" na lista de candidatos à extinção porque, paulatinamente, temos nos esforçado bastante para se livrar desse entulho antropológico.

Na Pré-História, os nossos ancestrais, os *pitecus, viviam em bandos, vandalizando árvores e catando piolhos um dos outros.

Mas as copas ficaram muito muvucadas, e parte dos nossos parentes tiveram de ralar no chão em busca de comida. Nessa fase, entre dilúvios e eras glaciais, surgiram as tribos e a bebida alcoólica, não necessariamente nessa ordem.

Alguns milhares de anos depois, com a revolução industrial,  podamos mais alguns galhos da árvore genealógica para facilitar o trabalho dos censores. A configuração familiar básica ficou restrita à clássica papai-mamãe-filhinhos.

Atualmente, o trabalho do censo ficou ainda mais fácil.
Não temos mais nem interesse em perpetuar a espécie.

A verdade é que a relação com o próximo está tão desgastada quem nem suportamos mais a presença física de outro ser humano. Quem vai feliz para a reunião de condomínio? Ou de pais e mestres? Da Associação de Amigos do bairro? Da missa de domingo? Viram?

Num mundo superlotado, queremos mesmo é distância do semelhante.

Quanto mais virtualizado o contato com o próximo, melhor. É por isso que preferimos trocar ideias por intermédio de engenhocas eletrônicas, como "smartphones",  "redes sociais" e tabuletas.

Depois que eliminarmos "o próximo",  finalmente descansaremos em paz.  

"Comédias para família"


quarta-feira, julho 18, 2012

Pessoa jurídica? Não, somente pessoa mesmo


Pessoa jurídica

Já escrevi neste blog minha discordância sobre a comparação de uma organização com o corpo humano. No corpo humano, os órgãos buscam compensar, solidária e automaticamente, a deficiência de outro órgão, no limite de suas capacidades e atribuições. Assim os demais sentidos se tornam mais aguçados em um cego, e o paraplégico, pela força das circunstâncias, desenvolve bíceps de um Mister Universo. É a lei da compensação.  

Nas organizações não é bem assim.

Cada gestor defende caninamente seus interesses e ninguém quer dar um braço a torcer. O empregado quer ganhar mais, e o patrão quer pagar menos.  O marketing quer personalizar tudo e o gerente de fábrica defende uma linha de montagem massificada, mais fácil de operar. E por aí vai. Cada um na sua,  remando o mesmo barco para uma direção diferente.

Agora tenho minha própria teoria. Outros autores devem ter proposto hipóteses muito melhores e fundamentadas, mas, para mim, as empresas deveriam ser administradas e entendidas  mesmo como pessoas físicas, dotadas de uma personalidade (cultura) e identidade (marca)  e não como pessoas jurídicas. O desafio dos gestores seria tornar essa entidade corporativa uma pessoa melhor a cada dia. Mais sábia, mais competente, mais sensível, mais humana.  E não como um monte de esquizoides lutando por seus feudos.

Essa abordagem - até ingênua e romântica, confesso -  facilitaria muito as coisas para todas as partes. Principalmente se os gestores tomarem as decisões baseadas numa diretriz tão simplória que meus dedos chegam até a doer enquanto teclo: “não faça com os outros  o que não gostaria que fizessem com você”.

Sua empresa está na dúvida se vai lançar um produto? Simples. Basta fazer a seguinte pergunta: “Eu daria esse troço para meu filho?”  Ou: “Eu me sentiria ridículo agindo como sugere a  propaganda que está na minha mesa para ser aprovada?”. Se a empresa como um todo pensar assim – como qualquer pessoa bem intencionada faz – o mundo corporativo seria muito diferente.

Raciocínios como esse eliminariam muitas decisões equivocadas e economizariam muito dinheiro.

Como qualquer pessoa almeja.