sexta-feira, agosto 10, 2012

Um dia na vida da dona vaca


 Dona vaca acordou bem cedo. Após a higiene pessoal, ela se produziu com cosméticos dermatologicamente testados em pessoas  e  vestiu seus calçados feitos de couro ecológico, que dispensa o uso de produtos químicos no curtume da pele humana.

Em seguida  fez o dejejum com o iogurte light de uma respeitada marca de laticínios. Dona vaca consome o produto  com tranquilidade, pois sabe que o leite utilizado por aquela companhia   é  extraído com toda a assepsia  de fêmeas humanas e pasteurizado em seguida, sem qualquer contato bovino.

O rádio informa que o clima está imprevisível, provavelmente por conta do efeito estufa. Diz o repórter que o aquecimento global se deve, em grande parte, aos gases emitidos pelos humanos, que prejudicam a camada de ozônio que protege o planeta.  “Que desagradável”, rumina dona vaca, sorvendo a última colherada do laticínio.

Dona vaca deixa o conforto de seu lar, dá partida em seu veículo elegantemente  revestido de couro humano e ruma para o trabalho, situado a poucos quilômetros da sua casa. Como todo o gado sai para o trabalho ao mesmo tempo, ela enfrenta um pequeno congestionamento, que a faz chegar atrasada.

No emprego, dona vaca é muito eficiente  e recupera o tempo perdido. Meio expediente depois, ela está em um restaurante nas imediações da empresa com seus colegas, fatiando um delicioso bife de bebê humano, amaciado e temperado com ervas finas.  Eles almoçam tranquilamente e ainda sobra um tempinho para dona vaca dar uma espiada na vitrine de uma loja próxima. Ela não resiste e compra uma linda bolsa de couro humano, com enfeites manufaturados com osso.

O resto do dia corre sem grandes novidades. Alguns colegas trocaram algumas chifradas e um bezerro aprendiz quase foi pisoteado, mas no final do dia todos estavam com sensação do dever cumprido. Era hora de voltar para o lar doce lar e se preparar para mais um dia de batente.

Dona vaca pega outro congestionamento na volta. A monotonia do tráfego deixa dona vaca melancólica. E, num raro momento de  reflexão, dona vaca percebe que falta algo em sua vida. Ela vive só. O relógio biológico deu o alarme e seu instinto bovino despertou.

Mas Dona vaca tem uma meta. Construir uma carreira de sucesso e só depois constituir uma família. Mas o que fazer para sublimar seu instinto maternal?

Na vizinhança da cidade, surge a solução na figura de um pet shop. Guiada pela instinto, ela vai até a seção de animais para adoção e se depara com a criança humana mais linda que já viu. Além de alegre, ela estava tosada, imunizada, castrada  e vermifugada. Foi amor à primeira vista. Dona vaca adotou o animalzinho de estimação e a instalou na área de serviço do seu apartamento. Ficaram até tarde da noite brincando e dona vaca adormeceu, com a criança em seu colo.

Um comentário:

Mauro Castro disse...

Bah, tribom.
Há braços!!