sexta-feira, agosto 03, 2012

Kafka Ltda


Um dos livros mais angustiantes que já li foi O Processo, de Franz Kafka (1883-1924). É como viver um um pesadelo acordado. Nessa obra, o personagem Joseph K. é acusado de um crime que ignora, julgado e condenado arbitrariamente. Aliás, Kafka tinha uma obsessão: retratar personagens vítimas das circunstâncias ou de sistemas despóticos de poder. Em a Metamorfose, outro exemplo, o protagonista Gregor Samsa simplesmente desperta transformado em um grande inseto!


Kafka é tido como um dos autores mais influentes da literatura ocidental. No entanto (os críticos que me perdoem a audácia), a influência deste celibatário escritor não foi mapeada em toda a sua extensão. Essa interferência transcende os limites fantasiosos dos livros. O modelo kafkaniano de status quo foi adotado e perpetuado pela sociedade, tendo se infiltrado, inclusive, nas células familiares e mitocôndrias organizacionais.


Toda organização, pública ou privada, cujo poder jorra torrencialmente de forma unidirecional, geralmente no sentido descendente, é kafkaniana por excelência. Empresas e instituições, que tomam decisões arbitrárias, ignoram o diálogo e o direito à defesa em seus processos diversos, na relação com os mais variados stakeholders, emulam com maestria a obra desse escritor germânico, consciente ou inconscientemente, todos os dias.


Basta olhar ao redor. Os exemplos pululam como pipocas no microondas.


Não estranhe se um dia acordar com “um dorso duro e inúmeras patas”.

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