quarta-feira, março 30, 2011

Ciclo virtuoso da leitura

Eu vou ao trabalho de ônibus. Ônibus e metrô. Uma hora para ir e uma hora para voltar. Gastar tanto tempo assim para ir trabalhar poderia ser um desperdício total, se eu não aproveitasse essas horas para colocar a leitura em dia.

São cerca de 10 horas por semana, o que me dá a média de um livro devorado por semana. Muitos deles eu compro, outros tantos, a maioria clássicos, pego da farta biblioteca da minha esposa. Outros, como por milagre, caem nas minhas mãos como maná dos céus, gentilmente cedidos por pessoas muito mais desapegadas do que eu.

À primeira vista, pode parecer que leio muito. Mas hoje me questiono se isso é mesmo verdade. Não sei se cumpro à risca o que agora passo a chamar de "ciclo virtuoso da leitura". Confesso que raramente completo o circuito. E sem cumprir este roteiro passo a passo meus esforços oculares podem estar sendo em vão.

O ciclo virtuoso da leitura, na minha opinião, é composto das seguintes etapas:

1 - Visualização, que é a decodificação dos sinais gráficos.
2 - Interpretação semântica.
3 - Intelecção, crítica ou reflexão sobre o conteúdo.
4 - Retenção do conteúdo filtrado.
5 - Aplicação na vida prática do conteúdo internalizado.
6 - Divulgação ou compartilhamento do conteúdo aprendido (socialização do conhecimento).

Ou seja, por esta minha teoria, a leitura somente agrega algum valor ao indivíduo se ele aprende com o que leu e também compartilha o aprendizado com o próximo. A leitura solitária, sem reflexão crítica e sem ser comungada, é um ato mecânico, egoísta, quase estéril do ponto de vista social.

Por esse prisma, por mais que eu tenha lido, ainda restam muitos livros pela frente até que tenha assimilado e praticado o ciclo virtuoso da leitura.

segunda-feira, março 14, 2011

A relatividade do tempo

- Ai, meu Deus, não vai dar tempo.
- Tempo de quê?
- De tudo! Não vai dar tempo! Não vê? Tem muita coisa ainda...
- Mas que aflição é essa? Como assim "não vai dar tempo"? O tempo é infinito.
- Não dá! Simplesmente não dá. Você já imaginou o milhão de coisas que esta aí para ser feito? "Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje", diz o ditado.
- E daí? Faz o que dá para fazer...
- Como assim? Com tanta coisa por aí para se fazer, vou me contentar com um pouquinho só? Quero fazer tudo! E de uma vez só!
- Mas tudo o quê?
- Tudo, oras. Tudo.
- Tudo? Tá bom, tá bom... Eu te ajudo.
- S-sério? Não vai te atrapalhar?
- Não, agora eu não tenho nada muito urgente para fazer mesmo. Por onde começamos?
- Nossa, que gentil da sua parte.
- Que é isso... Você faria o mesmo por mim.
- Sabe...
- O quê?
- Eu estava pensando...
- E?
- Acho que a gente deveria gastar um tempinho antes para se conhecer um pouco melhor...

Economia cardiovascular