sábado, janeiro 23, 2010

Meu método de trabalho

Meu método de trabalho é simples. Vou pensando no que escrever ou desenhar. Armazeno na cuca os insights até um momento em que consigo sentar no meu computador.

Eu saco uma folha sulfite, uma caneta nanquim 1.2 e faço a arte (ultimamente, devido à falta de tempo, tenho procurado dispensar o esboço a lápis). Já tentei desenhar direto no computador mas não me acostumei. A tablet que comprei para isso na década passada virou literalmente peso de papel.

Digitalizo o desenho e depois pinto e faço letras com um Photoshop 5. Este software já tem uns 10 anos, mas ainda quebra o galho.

A parte mais difícil é esta: alguém prestar atenção no que fiz.

A indústria cultural e eu

A indústria do entretenimento não difere dos outros tipos de indústria. Substitua o novo sabão em pó por um filme, uma banda ou livro e dá na mesma. Tudo é produto. Elas só pensam em tirar dinheiro do bolso do consumidor. Prova disso é que a qualidade de um filme é ranqueada pela indústria por bilheteria e não por méritos estéticos, por exemplo. Ou você acha que elas estão nessa pela "arte"?

A indústria do entretenimento tem algo pior que as demais irmãs. Não está muito preocupada com a qualidade ou os efeitos colaterais dos produtos que lança. Uma montadora de carros pode ser multada por poluir o ambiente ou por usar mão-de-obra escrava. Ou ainda é obrigada a fazer recall de peças defeituosas.

Mas que tipo de multa pode ser aplicada a um estúdio de cinema que faz um filme que incita à violência ou faz apologia do mau-caratismo? Ou para uma estrela de rock que incentiva pré-adolescentes a agirem como %$#@&*? Não tem recall para esta tralha toda que é usada para fazer lavagem cerebral.

Antes eu tentava acompanhar a cascata de lançamentos porque isso era ser "in". Gastei os tubos. Até que a fonte secou. Ou eu pagava o condomínio ou comprava discos. A opção foi óbvia. Mas foi bom. Não me sinto mais pressionado a comprar "a nova banda com atitude do momento".

E hoje só compro o sabão em pó.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Desabafo

Antes não publicavam meu cartuns
porque me consideravam primário.

Agora não publicam porque
me consideram secundário.

sábado, janeiro 09, 2010

Minhas pontas no cinema

Todo mundo fala do sucesso do Santoro no cinema lá fora, mas antes dele eu já fazia ponta em vários desses blockbusters de Hollywood.

Eu era o cara que comprava o ingresso.

domingo, janeiro 03, 2010

Vocação

O médico medica, o advogado advoga, o construtor constrói...
Onde está a criatividade dessa gente toda?

Golpe de misericórdia

Retrocedo ao tempo do serviço militar obrigatório, a um dia em que tive uma desavença com um colega da caserna. Não lembro o moto da discussão, nem quem tinha a razão, mas lembro-me de que ele jurou me partir em dois – ameaça considerável, pois se ainda hoje sou desguarnecido de músculos, na época era muito mais franzino.

Naquele dia eu estava ressabiado já que o outro recruta poderia ir à forra a qualquer momento. A inquietação não impediu, porém, de tirar uma sesta num banco de cimento no pátio. Ignoro quanto tempo cochilei, só recordo que acordei subitamente com o toque da corneta convocando a companhia. O capitão já aguardava os subordinados para instruções e todos já se dirigiam para o ponto de encontro de costume.

Por reflexo, tentei levantar-me num impulso, mas desabei no chão. Minhas pernas estavam dormentes e desobedeciam meus comandos. Eu simplesmente não conseguia me sustentar em pé. Estava naquela situação ridícula, quando noto alguém se aproximar. Acertou quem disse que era o cara que queria me usar como saco de pancada.

Ele chegou mais perto sem dizer uma palavra. Eu já estava até sentindo o impacto do seu coturno no meu estômago. Ou um soco na cara. Mas ele só esboçou um sorriso com o canto a boca e me estendeu a mão. Aceitei como um pedido de armistício entre nós. Ele me puxou para cima e aguardou até a circulação das minhas pernas voltar. Cambaleante e envergonhado, juntei-me aos demais.

Esqueci os motivos que provocaram a discussão anterior. Nem sei mais quem tinha razão. Isso não importa. Mas lembro que, com aquele gesto, ele demonstrou grande superioridade moral. Se estava errado, reconheceu o erro sem qualquer constrangimento aparente. Se estava certo, a mão estendida foi o golpe de misericórdia contra mim.

Até o fim do serviço militar obrigatório não nos tornamos os melhores amigos do quartel nem inimigos figadais. Nos toleramos. No entanto, devo-lhe esta lição: uma mão estendida pode ter mais impacto do que um murro bem dado.

sábado, janeiro 02, 2010

Tragédia de Angra e tragédia em portal

Dupla tragédia em Angra e na rede: um grande portal exibe vídeos do desabamento com banner de site internacional de reservas de hotel.