segunda-feira, agosto 02, 2010

Dia da Mentira – Parte 1

Um juiz estadual tinha o costume de reservar um dia da semana para ouvir presos. Esse dia era conhecido informalmente no gabinete dele como “Dia da Mentira”.

Pois num desses dias, ele iria conduzir a uma oitiva diferente.

- Tragam o preso número tal, ordenou o magistrado.

E os funcionários levaram o acusado à presença do juiz, que imediatamente começou a tomar os seus dados para a qualificação.

- Profissão?

- Traficante.

O juiz ficou assombrado com a sinceridade. E deu corda para o acusado:

- O senhor me desculpe, mas é que precisamos ser mais específicos. Para não gerar confusão, sabe? Por exemplo, eu sou um juiz. Mas não um juiz qualquer. Não sou juiz de futebol. Sou um juiz de direito, entende? E o senhor? É traficante de quê?

- De drogas, seu juiz.

- Anote aí, senhor escrevente: traficante de drogas. E lambendo os beiços, o magistrado revolveu os autos... Muit o bem, do inquérito consta que o senhor portava uma Magnum ilegal quando foi preso. É verdade?

- Sim, senhor juiz. Era uma Magnum.

- Essa arma era sua?

- Era, sim senhor.

- Mas que para quê você precisava de uma Magnum?

- O senhor sabe, a profissão exige, né? É uma ferramenta de trabalho.

- Sei. Mas o número de identificação da arma estava raspado. Foi o senhor que fez isso?

- Foi, sim. Sabe, doutor, essa arma era de um policial...

- Entendi. Estou satisfeito. Por hoje é só. Tenha um bom-dia - abreviou o magistrado.

- Um momento, seu juiz. Tem mais uma coisa...

Fim da parte 1

Um comentário:

Fernando Felipe disse...

Estou ávido pelo desenrolar da história!

São sempre bem escritas e prendem minha atenção!

Abraço,


FF.