terça-feira, agosto 25, 2009

Vantagem competitiva

As mulheres de hoje são independentes.

São mais inteligentes, mais competentes e mais versáteis.

Lembram pouco as mulheres de 50 anos atrás que se dedicavam de corpo e alma aos afazeres domésticos. Em tempo integral.

Os homens, por outro lado, pouco evoluíram.

Continuam falando de futebol e de carros.

Como há 50 anos.

São a minoria. Uma espécie em extinção.

E é justamente isso que os favorece.

Eles estão com a faca e o queijo na mão.

Já viram o quanto as mulheres reclamam que "falta homem no mercado?".

Cantada saudável



Botox

A toxina botulímica

transforma num instante

anciã em menina

e esteta em bon vivant.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Alguém lá em cima leu Kafka

Fui intimado por um órgão federal a prestar esclarecimentos sobre algumas informações que não gerei nem sobre as quais tenho responsabilidade. Sabe Kafka? Me senti numa obra dele.

Deram cinco dias de prazo. No quarto dia faltei ao trabalho e fui à repartição munido de todos os documentos solicitados.

A funcionária que me recebeu lembrava a vilã de A Pequena Sereia, da Disney. Com a delicadeza peculiar da sua sósia marinha, ela protocolou os papéis e já ia dando por encerrado o atendimento, quando eu perguntei se havia algum prazo para o órgão dar seu parecer final sobre o caso.

- Não tem previsão - sentenciou ela, do alto de seu pedestal burocrático.

Para mim, cinco dias, para o Estado, a eternidade.

É dose para leão.

domingo, agosto 16, 2009

Banco: nota zero em relacionamento com o cliente.

O banco que me atende tem uma chance por ano, pelo menos, de cultivar o relacionamento comigo e me surpreender com um benefício real: meu aniversário.

Pois neste ano o banco aproveitou esse momento mágico para... tentar vender para mim uma máquina de fazer café com desconto.

E eu nem tomo café.

sábado, agosto 08, 2009

O visitante

É curioso observar como muda o perfil do público que gira em torno da especulação imobiliária. Moro em um bairro que está se verticalizando. E sempre tem um novo empreendimento subindo. A cada etapa do negócio muda a população flutuante que o frequenta.

Na fase das vendas, a região é infestada de corretores e potenciais compradores.

Depois, com as obras, surgem os operários da construção civil. E as barraquinhas de café da manhã tomam conta das calçadas. De manhã em torno delas se forma aquele burburinho de gente tragando um pretinho - dá até para ver a fumacinha saindo do copo - e comendo o bolinho de fubá.

Com a entrega das chaves, é a vez dos prestadores de serviço. Encanadores, azulejistas, o homem do gesso, o marceneiro, os pintores... É um vai e vem de alicates, cabos, formões e lixadeiras.

Com a maioria das unidades entregues, começa a circular pela manhã o batalhão de diaristas e babás. A maioria vem de longe, passos ligeiros, forrados de sandálias, braços cruzados apertando uma blusa rala no corpo. Poucas solteiras. Muitas mães e avós que dão duplo expediente, na patroa e em casa. Conheço algumas que por sua vez pagam diaristas para cuidar dos próprios filhos ou netos.

Os moradores são os que menos vejo. Passam mais tempo nos escritórios do que em suas casas, com as famílias.

Isso quando não sacrificam um tempo precioso do convívio familiar para colocar os e-mails e relatórios do trabalho em dia. Eles são os verdadeiros visitantes.