terça-feira, novembro 10, 2009

Adeus, Júpiter

Agosto. Era um belo sábado de sol. Na praça funcionava um posto improvisado de vacinação contra raiva. Uns poucos animais ganiam, mas a maioria deles se submetia resignada à picada da agulha. Parecia que sabiam que era para o seu próprio bem. Um dos funcionários da prefeitura fazia balões com luvas descartáveis para entreter as crianças que acompanhavam seus bichos.

Uma idosa se aproximou com uma gaiolinha, dessas de transportar bicho. O gato recusava-se a sair. Seu nome era Júpiter.

O funcionário enfiou uma mão no claustro e agarrou Júpiter pelo cangote, e com a outra mão segurou a coleira, enquanto um colega preparava a seringa. O homem pagou caro pela ousadia. O bichano crispou-se todo e cravou as garras no seu braço. O funcionário o soltou e o animal ficou suspenso pela coleira, debatendo-se como um possuído. Fez tanto estardalhaço e malabarismo que conseguiu num instante escapar. Mal caiu de quatro no chão, como convém a todo felino, disparou a esmo em direção à avenida.

O carro não conseguiu parar a tempo.

Testemunhei a última vida de Júpiter na terra.

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