sábado, agosto 08, 2009

O visitante

É curioso observar como muda o perfil do público que gira em torno da especulação imobiliária. Moro em um bairro que está se verticalizando. E sempre tem um novo empreendimento subindo. A cada etapa do negócio muda a população flutuante que o frequenta.

Na fase das vendas, a região é infestada de corretores e potenciais compradores.

Depois, com as obras, surgem os operários da construção civil. E as barraquinhas de café da manhã tomam conta das calçadas. De manhã em torno delas se forma aquele burburinho de gente tragando um pretinho - dá até para ver a fumacinha saindo do copo - e comendo o bolinho de fubá.

Com a entrega das chaves, é a vez dos prestadores de serviço. Encanadores, azulejistas, o homem do gesso, o marceneiro, os pintores... É um vai e vem de alicates, cabos, formões e lixadeiras.

Com a maioria das unidades entregues, começa a circular pela manhã o batalhão de diaristas e babás. A maioria vem de longe, passos ligeiros, forrados de sandálias, braços cruzados apertando uma blusa rala no corpo. Poucas solteiras. Muitas mães e avós que dão duplo expediente, na patroa e em casa. Conheço algumas que por sua vez pagam diaristas para cuidar dos próprios filhos ou netos.

Os moradores são os que menos vejo. Passam mais tempo nos escritórios do que em suas casas, com as famílias.

Isso quando não sacrificam um tempo precioso do convívio familiar para colocar os e-mails e relatórios do trabalho em dia. Eles são os verdadeiros visitantes.

Um comentário:

Daniel Veiga disse...

Muito bem observado!!!