sexta-feira, julho 03, 2009

Os livros de Administração estão errados

Há diversas definições para corporação. Uma das mais esdrúxulas é a analogia com o corpo humano. Senão, vejamos. No corpo humano, os órgãos trabalham em harmonia para o bem comum, cada um na sua. O rim não compete com o pâncreas nem planeja tomar o lugar do fígado. O coração não sabota o cérebro. O pé não se mete à besta de querer trocar de lugar com a mão. Todo mundo fala a mesma língua. O cérebro coordena tudo, mas sem castigo ou recompensa. E ninguém fica de braço cruzado esperando o circo pegar fogo, não. Quando um órgão falha, o organismo tenta compensar o problema. Se o indivíduo fica cego, os demais sentidos ficam mais aguçados, por exemplo. Uma mão lava a outra.

Já numa corporação, como uma empresa, a coisa é diferente. É cada um por si e todos por ninguém. O empregado quer cada vez ganhar mais e trabalhar menos. O empresário quer aumentar a produção e reduzir custos, principalmente com mão-de-obra. O marketing quer uma linha de produtos cada vez mais diversificada e personalizada para os clientes. O gerente da fábrica quer uma linha de produção cada vez menos personalizada e mais fácil de administrar. Para isso, ele precisa investir mais na automatização, mas o financeiro não quer abrir a mão. E os acionistas não querem saber de nada disso, só do lucro.

Uma corporação não tem a mínima semelhança com o corpo humano. Já pensou se de repente os órgãos fizessem uma reengenharia e decidissem fazer um outsourcing do fígado? Ou cortar um dos rins (para que duplicidade de funções?). Ou ainda fazer um rodízio na administração e designar o intestino para comandar a seção hepática? Ia dar merda.

É justamente isso o que acontece nas corporações.

2 comentários:

Rafael disse...

Genial!

Marcelo de Andrade disse...

Grato pelo comentário, Rafael, mas rejeito o título de genial. Eu seria genial se mostrasse como fazer a gestão de uma empresa de forma eficiente e compensadora para todos os envolvidos. Criticar e apontar defeitos é muito fácil.

Um abraço.

Marcelo